Plínio Salgado: uma falsa teologia política

2 06 2008

Plínio Salgado

O artigo que se segue é copiado a partir do ligame abaixo indicado com o único objectivo de representar uma leitura afiliada ao pensamento do fascista brasileiro Plínio Salgado.

Por Fernando Rodrigues Batista

A tragédia de nossos dias é a mais angustiosa – afirmava o gênio elevado de Leonel Franca -, porquanto, segundo o mesmo autor, as almas nobres e reflexivas, mesmo as que, em momentos de exaltação entoam hinos de louvor à vida, acabam imergindo nas sombras de um pessimismo sem esperanças.
Em face das angústias de alhures até a hora presente, Schopenhauer talvez seja uma das impressões mais lancinantes de uma alma que desconhece seu destino; ou mesmo Nietzsche; ou Pirandello, quando é taxativo: “no ha la vita un fruto, Inutile miseria”; ou até mesmo Gabriel D’annuzio, ao externar melancólico: “diante de mim na sombra, está a morte sem flâmula. Eu morrerei em vão”.
Que homem, digno deste nome, poderia se conformar com os dramas que marcam nosso tempo? Leon Bloy, Baudelaire, Bernanos, Chesterton, Pio XII, Marcel de Corte, Gustave Thibon, Plínio Salgado… Este fez de seu verbo inflamado a espada afiada contra as doutrinas deletérias; e vendo a mocidade sofrer o influxo da degradação de tais doutrinas, concitava-os ao que ele chamava de “Revolução Interior”.
Depois do contato com as doutrinas materialistas e revolucionárias de Sorel, Marx, Trotski, Feuerbach, Plínio vai encontrar o clarão da fé nas palavras de fogo de Jackson de Figueiredo, e sobretudo na filosofia do cearense Farias Brito, este mestre que concorreu com seu esforço para pôr cobro a faina demolidora do materialismo e iniciar a grande obra reconstrutiva.
Farias Brito fora inconcussamente o grande precursor da renovação do pensamento que à época deste ilustre pensador predominava, vale dizer, o positivismo de Augusto Comte e o pragmatismo de Stuart Mill, tendo como representantes em nossa pátria, figuras do mais alto valor intelectual, tais como, Benjamim Constant; Teixeira Mendes; Miguel Couto; Tobias Barreto; Fausto Cardoso com seu haeckelianismo sociológico, entre outros. Cumpre ressaltar, que em França e Itália o papel de salvaguadar os valores espirituais em contrapartida ao dogmatismo materialista, era exercido por pensadores do estofo de um Boutroux – chamado pelo próprio Farias Brito de pensador valiosíssimo a todos os títulos – e de um Bergson; de um Spaventa e de um Benetto Croce – consoante ensinamento de Miguel Reale.
A síntese do pensamento de Plínio Salgado consiste no apelo do autor da “Vida de Jesus”, à Revolução Interior, como já citado. À essa luz, de uma
feita, dizia Pèguy: “as verdadeiras revoluções consistem essencialmente em
mergulharmos nas inesgotáveis fontes da vida interior. Não são homens
superficiais que podem por em marcha tais revoluções – mas homens capazes de ver e de falar em profundidade”. E Plínio era um desses homens, pois, – como afirma o historiador lusitano João Ameal – “no calor e no fervor de sua evocação parecia um contemporâneo de Cristo”.
Em Portugal, na data da comemoração do Condestável, Nun’Alvares, Plínio proferiu linhas luminosas que expressam o que foi sua vida, de filósofo; de sociólogo; de político; de apóstolo:
“Ensinou-nos Nun’Alvares que o supremo destino da criatura humana está em Deus; que as riquezas mais ricas, e as glórias mais gloriosas, e o poder mais poderoso que seja, não passam de bens passageiros, que terminam bem depressa, cumprindo-nos, portanto, fazer deles instrumento de trabalho com que servir Aquele que constitui o Bem que não acaba. Lutar pela Pátria, lutar em prol da comunidade, infatigavelmente, é digno e belo; mas fazer dessa mesma luta o cilício de nossa lama, o meio de santificação, é ainda mais belo. Porque existe, além das muitas formas de santidade, uma que poderemos chamar “santidade política”, e essa conhecem os que sofreram, pela felicidade publica, os agravos do tempo e as injúrias dos homens, que afinal são também, uns e outros, passageiros como os bens, já que tudo passa na terra e eterno no Céu”.
Malgrado todos os sofismas que norteiam sua vida e sua obra, diante das paisagens e escombros se levanta sua mensagem indelével como anunciação promissora. Cheio de fé em nossa destinação histórica, Plínio, parafraseava Camões: “Depois de procelosa tempestade, noturna treva e silibante vento, traz a manhã serena, claridade, esperança de porto e salvamento”.
Em uma das peças de Gil Vicente, surge um Cruzado e, então, é dito que o Cruzado vai direto para o céu, porque se bateu por uma Boa Causa.
Plínio foi um dos grandes Cruzados, com que o Século XX nos galardoou,
pensador exímio, defendeu seu pensamento com intrepidez, não obstante
possuísse uma alma franciscana, porquanto, Plínio foi um desses homens, que merecem a sentença de Dante Aliguieri – autor da Divina Comédia – para quem, mais alto que o entendimento, o Amor se levanta, – o Amor que faz mover “il sole e I’altre stelle” e pelo qual o nosso destino terrestre consegue sair triunfante dos combates terríveis da Alma e do Mundo.

http://www.integralismo.org.br/novo/?cont=58&tx=21&vis=

Ler também (numa perspectiva semelhante): Uma singela homenagem a Plínio Salgado

por Victor Emanuel

http://www.integralismo.org.br/novo/?cont=58&tx=9&vis=

Do dicionário político (Marxists.org)

(1895-1975): Nasceu em São Bento do Sapucaí (SP). Jornalista. Em 1918, iniciou-se na política participando da fundação do Partido Municipalista, que reunia líderes de municípios do Vale do Paraíba. Realizava, então, conferências em defesa da autonomia municipal. Durante a década de 20, dedicou-se essencialmente às atividades literárias. Em 1927 publicou Literatura e Política, obra em que expressava idéias nacionalistas de cunho fortemente antiliberal e agrarista. Em 1928, elegeu-se deputado estadual, em São Paulo. Em 1930, viajou ao Oriente Médio e à Europa. Na Itália, impressionou-se com o fascismo e com Mussolini. Fundou a Sociedade de Estudos Políticos (SEP), que reunia intelectuais simpáticos ao fascismo. Meses depois, divulgou o Manifesto de Outubro, no qual apresenta as diretrizes básicas de uma nova agremiação política – a Ação Integralista Brasileira (AIB). O ideário da AIB inspirava-se nitidamente no fascismo italiano e em seus similares europeus. Valorizava, ainda, uma série de rituais e símbolos, como a utilização da expressão indígena Anauê como saudação, a letra grega sigma (S) e os uniformes verdes com os quais seus militantes desfilavam pelas ruas. Em fevereiro de 1934, no I Congresso da AIB, em Vitória (ES), Plínio confirmou sua autoridade absoluta sobre a entidade e recebeu o título de “chefe nacional”. Em 1937, Plínio lançou sua candidatura à eleição presidencial marcada para janeiro do ano seguinte. Percebendo a intenção de Vargas de cancelar a eleição e continuar no poder, resolveu apoiar a opção golpista do presidente esperando fazer do integralismo a base doutrinária do novo regime. Reuniu-se, então, com líderes militares golpistas e com o próprio Vargas, que lhe teria prometido o Ministério da Educação no novo governo. Em novembro, retirou sua candidatura a presidente e, dias depois, aplaudiu a decretação do Estado Novo. Para sua surpresa, porém, Vargas decretou o fechamento da AIB, dando a ela o mesmo tratamento dispensado às demais organizações partidárias. No ano seguinte, militantes integralistas tentaram, por duas vezes, nos meses de março e maio, promover levantes para depor Vargas. Essas tentativas fracassaram e, em ambas, Plínio negou ter tido qualquer participação. Permaneceu livre ainda por um ano, apesar de muitos integralistas terem sofrido perseguições imediatas. Em maio de 1939, foi finalmente preso e, um mês depois, enviado para um exílio de seis anos em Portugal. Nesse período, procurou obstinadamente reabilitar-se diante do governo brasileiro, a quem elogiou em diversos manifestos, inclusive quando da declaração de guerra do Brasil à Alemanha e Itália. Voltou ao Brasil em 1945, com a redemocratização do país. Reformulou, então, a doutrina integralista e fundou o Partido de Representação Popular (PRP). Em 1955, lançou-se candidato à presidência da República, obtendo 714 mil votos (8% do total). Em seguida, apoiou a posse do presidente eleito Juscelino Kubitscheck, contestada pela UDN, e foi nomeado para a direção do Instituto Nacional de Imigração e Colonização. Em 1958, elegeu-se deputado federal pelo Paraná. Reelegeu-se em 1962, desta vez por São Paulo. Em 1964, foi um dos oradores da Marcha da Família com Deus pela Liberdade, em São Paulo, contra o presidente João Goulart. Apoiou o golpe militar daquele ano e, com a extinção dos antigos partidos, ingressou na Aliança Renovadora Nacional (Arena), criada para auxiliar na sustentação ao novo regime. Por essa legenda obteve mais dois mandatos na Câmara Federal, em 1966 e 1970.

http://www.marxists.org/portugues/dicionario/verbetes/s/salgado_plinio.htm


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